Grupos de Trabalho - GT's


GT: 02 Etnografia da violência: Estado, conflitos e construção de identidades

Cayo Cezar de Farias Cruz( UEMA)
Jaqueline Pereira Sousa (PPGA/UFPA)

Esse Grupo de Trabalho busca reunir contribuições que reflitam acerca da relação entre Estado, violência e construção de identidades. A ideia principal baseia-se no conflito (SIMMEL, 1983) enquanto perspectiva epistemológica relacionadas ao fazer etnográfico. O destaque se concentra em : (1) processos sociais de generificação; (2) sexualização e produção simbólica do Estado e da violência; (3) formas de gestão de conflitos e de construção de identidades em situações de conflito; e, por último, (4) a produção, reivindicação e instrumentalização da violência do Estado e as formas que articulam os seus efeitos aos marcadores sociais da diferença, tais como: gênero, raça, classe e etnia. Uma lógica que produz corpos, territórios, tempo e espaços de morte (TAUSSIG, 1993) .
O nosso GT pretende reunir pesquisas e reflexões tanto sobre contextos macrossociológicos quanto contextos microssociológicos, priorizando a experiência do fazer etnográfico (GEERTZ, 1978) enquanto método/técnica imprescindível de acesso às formas do saber etnográfico. Assinala-se, portanto, o Estado como um ponto convergente do interesse intelectual aqui representado. A proposta desse Grupo de Trabalho se amplia ao fazermos um diálogo com as categorias de pensamento propostas por Veenas Das e Déborah Poole (2008), referenciando uma Antropologia que tem se consumado ao longo dos anos como uma ciência que produz conhecimento sobre grupos e sociedades marginalizadas historicamente por políticas eurocentradas e colonialistas. As autoras revelam sociedades e grupos que, comumente, encontram-se sem Estado, visto que - tendo como sua expressão máxima aqui a forma política e organizacional do "Estado Nação", -acaba se configurando como um marcador social e temporal das "sociedades ocidentais desenvolvidas", assim como um mecanismo de controle e de violência contra os grupos e sociedades supracitados. Acrescenta-se, consequentemente, o Estado enquanto Instituição, considerado um aparato racional, administrativo, burocrático e ordenador, coloca às suas margens o caos e a desordem(DAS & POOLE, 2008), configurando uma percepção associada aos sentidos que alimentam o discurso civilizador do capitalismo .
Percebe-se também no discurso das autoras que a violência e as funções de ordem do Estado são chaves importantes para se pensar os problemas posicionados à margem, uma "antropologia das margens", por sua vez, as situando não como uma oposição a legalidade do Estado, mas às implicações necessárias do mesmo, assim, oferecendo novas possibilidades de construir uma reflexão das relações centro/periferia, legalidade/ilegalidade e público/privado (DAS; POOLE, 2008).
É oportuno inferir que a relação entre Estado e morte é bastante presente na filosofia política, como propõe Valter Benjamim (2011) e Giorgio Agbamem (2002) . O que torna importante compreender a morte, enquanto um fenômeno social de politização (AGAMBEN, 2002). como uma forma também de se pensar o Estado. Essa compreensão nos remete à premissa de análise sobre procedimentos e tecnologias que o Estado emprega na produção de formas de vida e de morte (DAS, 2007) configurando um processo que envolve em sua realização diversas formas de construção de identidades( DAS & POOLE, 2008), reverberando um forte impacto nas políticas de
identidades e na gestão do pluralismo cultural
A urgência e a importância de se compreender os fenômenos propostos nesse GT é reforçada com as ideias apresentadas por Michael Taussig (1986) a respeito do terror.Para o autor, a grande presença de práticas de tortura e o crescimento dos exércitos no mundo impõem a necessidade de se compreender esse terror, inclusive para que essa
compreensão alcance uma gama diversificada de indivíduos. Taussig ainda acrescenta que os efeitos de poder dos discursos devem ser relevantes e significativos na elaboração de contra  discursos, na construção de significados, ou na construção de um entendimento que permita subverter a lógica do terror.
Por fim, esse GT traz à tona a necessidade de aprimoramento político às discussões envoltas na temática violência - incorporadas ao fazer etnográfico - conectando os eixos Estado-conflito-identidades nas atuais pesquisas acadêmicas e com o intuito de refletir sobre os impactos causados por esses eixos à sociedade contemporânea.

PROGRAMAÇÃO GT 02



GT 03: Antropologia e políticas públicas

Daniela Caruza Gonçalves Ferreira (IFPI) 
Joyce Kelly da Silva Oliveira (UFPI)

Debatedor: Melquisedeque de Oliveira Fernandes (UFERSA) 

A proposta do Grupo de Trabalho é pensar as contribuições possíveis a partir da antropologia para o debate de questões relacionadas a intervenções sociais definidas como políticas públicas, especialmente aquelas que se declaram voltadas à produção de desenvolvimento, e que vêm sendo operadas a partir de setores, instituições e agentes diretamente ligados ao Estado ou através de atores e instituições não estatais. Buscamos produzir um espaço de discussão em que sejam contempladas etnografias e análises produzidas à luz do aparato teórico-metodológico da disciplina abordando processos de formulação e de execução de políticas, incluindo a descrição de práticas, procedimentos,mecanismos, e expedientes, bem como os efeitos produzidos por essas políticas, além de discussões sobre  a atuação dos próprios antropólogos envolvidos em tais processos.

PROGRAMAÇÃO GT 03



GT 04: Antropologia e Política

Carlos Filadelfo (UFPI)
Natacha Simei Leal (Univasf)

A presente proposta pretende congregar pesquisadores e estudantes de Antropologia, Ciência Política, Sociologia e de outras áreas afins que, por distintos vieses analíticos e referenciais empíricos, pensam relações políticas. Anseia-se, neste Grupo de Trabalho, debater política em seu sentido lato, tanto como uma prática, um objeto de estudo, mas, sobretudo, enquanto uma experiência social nos mais diversos níveis de abrangência e contextos (contemporâneos ou passados).

O mundo da política se constituiu como um tema fundante e central para a Antropologia desde o seu início. A compreensão de variadas formas e relações de poder em diferentes sociedades ou a articulação entre práticas e concepções políticas locais com contextos sociais e estatais mais amplos orientou, e ainda orienta, muitas das pesquisas antropológicas que buscam investigá-las etnográfica e comparativamente.

A chamada Antropologia Política tomou forma principalmente a partir de pesquisas etnográficas sobre sistemas políticos africanos realizadas dentro da tradição estrutural-funcionalista por autores como Evans-Pritchard, Meyer Fortes, dentre outros. Buscava-se, então, compreender como diferentes sociedades se organizavam politicamente na ausência do Estado. Se no início havia um esforço analítico de se compreender os mecanismos de coesão social dessas sociedades, gradativamente as análises se ampliam para dar conta de processos de transformação estrutural, de conflitos sociais, ou seja, um caráter eminentemente relacional, processual e conflitivo do mundo da política, tal qual propôs Edmund Leach. Outros autores, como Pierre Clastres, também vão pensar sociedades contra o Estado, chocando concepções ocidentais sobre política com concepções mais igualitárias e refratárias a organizações estatais.

E é claro que todo esse aparato teórico-metodológico desenvolvido pela Antropologia Política não se limitou apenas a sociedades sem Estado. Muitas pesquisas vêm descortinando as relações de grupos sociais diversos com regimes coloniais e estatais, bem como compreendendo formas e práticas políticas caracteristicamente ocidentais, como o próprio Estado, movimentos sociais, sindicatos, democracia representativa etc.

Recentemente, autores têm proposto uma Antropologia da Política (a exemplo do NuAP - Núcleo de Antropologia da Política) em contextos com Estado, justamente para explorar as concepções e práticas em torno dos sentidos da categoria política. Por ser uma categoria da prática social, frequentemente usada nos mais diversos contextos sociais, ela acaba por abarcar uma série de definições e abrangências. Partindo do pressuposto que as sociedades são heterogêneas, a Antropologia da Política pode assim revelar múltiplas percepções e, consequentemente, conflitos e relações de poder entendidos pelos grupos e atores sociais pesquisados como política. O mundo da política passa assim a não ser mais um dado a priori, mas "investigado e definido a partir das formulações e dos comportamentos de atores sociais e de contextos particulares", segundo formulação de Karina Kuschnir,.

Cabe ressaltar que a Antropologia se define por uma articulação analítica entre, de um lado, esforços etnográficos de compreensão de contextos particulares e, de outro lado, por uma necessidade de produção de generalizações comparativas. Portanto, para uma compreensão ampla acerca do que define política é fundamental o estabelecimento de diálogos interdisciplinares com outros campos do conhecimento que também se detenham sobre temas correlatos.

Nesse sentido, serão bem-vindos trabalhos de diversos campos do conhecimento que analisem contextos e processos entendidos ou nomeados como políticos, a exemplo de eleições, políticas de Estado e os usos e sentidos da Democracia, Cidadania e do Direito, conflitos urbanos, agrários, fundiários e de luta por direitos, mas, concomitantemente, pesquisas que descrevam as mais variadas trocas econômicas e simbólicas, disputas e lutas de povos tradicionais e de movimentos sociais urbanos e rurais, os conflitos e controvérsias de redes familiares e de parentesco, violência e demais temas centrados em relações de poder.

Ademais, em consonância com o tema do II Simpantro, "A ética da pesquisa antropológica: entre a regulamentação e a prática", o grupo de trabalho pretende debater o caráter eminentemente político da ciência antropológica. Se, como teria afirmado Lévi-Strauss, a antropologia é mesmo a ciência do observado, que tipo de conhecimento e efeitos ela é capaz de produzir e qual o impacto destes saberes quando os sujeitos de pesquisa são eles próprios politizados ou imersos em contextos fortemente conflitivos, de luta por direitos? Que tipo de influência mútua pode haver entre os campos da Antropologia e da Política?

PROGRAMAÇÃO GT 04



GT 05: Tensões éticas nas pesquisas de Sexualidade e Gênero

Kelma Cunha Gallas (FSA)
Pâmela Laurentina Sampaio Reis (UESPI)

Os estudos sobre a sexualidade surgiram no cenário brasileiro nos fins da década de 1970 e iício dos anos de 1980, em meio às lutas pelos direitos, desencadeadas pelos movimentos sociais. Esses estudos destacaram a sexualidade como o eixo em torno do qual foi possível agrupar uma série de debates relacionados aos diferentes estilos de vida e visões de mundo em uma sociedade complexa. A sexualidade apresentava-se como uma dimensão política, não apenas relacionada às identidades, mas à conquista de direitos e cidadania. Nesse sentido, articulou-se a sexualidade a outros marcadores, como cor, geração, classe social, possibilitando apreender como os sistemas de classificação orientavam, neste sentido, as sociabilidades, os afetos, desejos, relações de poder e as biopolíticas do cotidiano, dentre outras questões. Na década de 1990, os estudos da sexualidade incorporaram o conceito de gênero, considerada, então, uma "categoria fundante no modo como a experiência sexual é vivenciada pelos sujeitos" (HEILBORN, 1999). No Brasil, entre as inumeráveis repercussões, surgiram ações afirmavas para diminuir as desigualdades de gênero, e campanhas para combater a epidemia do HIV/AIDS. Nos anos 2000, por meio de diferentes recortes e objetos, inumeráveis pesquisas sobre a sexualidade e gênero foram desenvolvidas no país, especialmente, em Programas de Pós-Graduação, Programas Institucionais de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) ou Bolsas de Iniciação a Docência, para citar alguns. Estes estudos permitiram, sobretudo, "novos descentramentos em outras axialidades", apresentando a diversidade das experiências sexuais e de gênero em áreas rurais, emcontextos interioranos e periferizados e/ou, ainda, situações etnicamente diferenciadas no Brasil contemporâneo (GONTIJO et al, 2016).
Este GT, portanto, possibilita apresentar resultados de pesquisas em diversas áreas do conhecimento, principalmente, nas de antropologia, em suas diversas fases de desenvolvimento, que versem sobre estudos de gênero e da sexualidade sob uma perspectiva interseccional e/ou que dialoguem com a Teoria Queer e os estudos pós-coloniais. Em continuidade ao debate iniciado no I Simpósio do Programa Pós-Graduação em Antropologia da UFPI, em 2016, busca-se, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, realizar um diálogo entre os estudos de gênero e da sexualidade, paraproblematizar os procedimentos éticos da tensa relação entre pesquisadorxs e a prática de pesquisa. Deste modo, se pretende refletir os procedimentos operacionais das pesquisas com seres humanos, diferentemente da pesquisa em seres humanos, na qual o sujeito da pesquisa deixa a condição de paciente/passivo para assumir o papel de ator ou de sujeito de interlocução (HEILBORN, 2012; CARDOSO DE OLIVIRA, 2013).
No escopo deste debate, investiga-se como a relação entre pesquisadorxs e interlocutores é negociada. Assim, neste GT objetiva-se discutir, sobretudo, os percursos metodológicos desenvolvidos nos trabalhos de campo incidindo seu foco nos limites éticos decorrentes desse processo: os procedimentos éticos e práticos no trabalho de campo; a ética e os códigos de ética na investigação científica; as escolhas metodológicas; as negociações de inserção em campo; as novas/outras práticas de trabalho de campo; o uso ou não do termo de livre consentimento; a submissão da pesquisa ao comitê de ética; a restituição aos interlocutores pesquisados do saber produzido com/ a partir deles; a "identidade" dxs pesquisadorx em campo; os percalços no desenvolvimento do trabalho de campo; corpo e desejo como campo de pesquisa; as sociabilidades e as sexualidades; o erótico e o afetivo; o gênero e poder. Nesse sentido, se procura construir um quadro representativo das principais abordagens teóricas e, sobretudo, das experiências de pesquisas empíricas relacionadas a este campo, que se apresenta ainda em construção.

PROGRAMAÇÃO GT 05



GT 06: Antropologia, diversidade e educação: construindo diálogos

Raimundo Nonato Ferreira do Nascimento (UFPI)
Vânia Rocha Fialho de Paiva e Souza (UPE-UFPE)

Este grupo de trabalho se propende a estabelecer um diálogo entre dois campos do saber: Antropologia e Educação. Nosso intuito, além de promover uma reflexão sobre a importância de o conhecimento antropológico voltar-se teórica, metodológica e empiricamente para o campo da Educação é, também, perceber como esses dois campos podem ser fortalecidos com esse diálogo. É no contexto de interface entre esses dois saberes, em que se destacam os processos educativos, que vêm sendo explicitados desafios que enfrentamos na atualidade, como os aspectos multiculturais da sociedade, as relações interculturais e os processos de produção de identidades e diferenças. Nesse sentido, o grupo de trabalho acolherá experiências etnográficas relacionadas a pesquisas e práticas educativas em contextos escolares e não escolares, que - além de conceituarem, descreverem e analisarem a temática - tragam novos modelos, métodos e tecnologias pedagógicas interventivas, que contribuam para compreensão e análise dos processos de produção e transmissão de saberes.

PROGRAMAÇÃO GT 06




GT 07: Presenças indígenas no Piauí - séculos XIX a XXI

Camila Galan de Paula (UNIVASF)

Alencar de Miranda Amaral (UNIVASF)

A historiografia mais tradicional sobre o Piauí pretende que os índios tenham sido todos exterminados da região até o século XIX (NUNES, 2014; CHAVES, 2011). No século XXI, no entanto, surgem movimentos de reivindicação étnica no estado, e grupos clamam por reconhecimento de sua identidade indígena com seu respectivo direito à terra.

Costa (2011) sugere, por comparação a pesquisas relativas à presença indígena no Ceará, que é necessário rever a imagem do extermínio indígena na província do Piauí no século XIX. Também no Ceará, decretou-se a inexistência de índios na província, e a imagem da ausência perduraria até as últimas décadas do século XX, quando diversos processos de emergência étnica tomaram lugar. Com relação ao Ceará, o autor nota que se iniciaram pesquisas orientadas por perguntas tais quais "como e por que esses grupos passaram mais de um século em silêncio [?] A quem interessava o discurso do extermínio? E, principalmente: como essas manifestações identitárias conseguiram ressurgir [...] após tantos anos?" (COSTA, 2011, p. 144).

Com relação ao Piauí, há um recente movimento historiográfico no sentido de revisar a imagem do extermínio total dos índios (COSTA, 2011; ASSIS 2016; BAPTISTA, 2017), indicando a necessidade de pesquisas documentais minuciosas sobre a questão. Paralelamente aos esforços dos historiadores, a preocupação antropológica em descrever os processos de emergência étnica no Piauí tem-se iniciado (KÓS, 2015). Para além das pesquisas que acompanham ditos processos, outras se interrogam como compreender a presença indígena no estado a partir de elementos culturais de origem ameríndias (RIBEIRO, 2012). Baseadas em história oral, surgem igualmente iniciativas com o intuito de dar voz aos descendentes de indígenas e suas memórias, relevando que há mais memórias e presenças indígenas no Piauí do que se supunha (FRANCO, 2014; ASSIS, 2016; INSTITUTO FEDERAL DO PIAUÍ, 2017).

É nesse quadro de revisionismo na abordagem da presença ameríndia no estado - impulsionado tanto por mudança teórico-metodológicas quanto pela patente presença de grupos com reivindicações étnicas - que o presente GT busca se inserir. Serão acolhidas, assim, propostas de apresentação que tratem da presença indígena no Piauí em suas múltiplas formas. Com essa denominação abrangente, "presenças indígenas", buscamos abarcar não apenas trabalhos que investiguem processos de emergência étnica, mas também outras reflexões a partir da pesquisa empírica sobre memórias indígenas. Dessa forma, busca-se fazer a presença indígena aparecer também a partir daqueles que, sem necessariamente se considerarem índios, têm memórias de antepassados indígenas, ou de eventos envolvendo grupos ameríndios. Serão aceitas ainda pesquisas que lidem com documentação ou outras formas de registro sobre o passado, em especial aquelas que atestem presenças indígenas no Piauí a partir do século XIX. Encoraja-se ainda a participação de pessoas indígenas, bem como de agentes indigenistas. Pesquisas em fases iniciais serão aceitas, sendo privilegiadas investigações empíricas (com realização de entrevistas, de observação participante, de pesquisas documentais, de escavações arqueológicas etc.).

Abrangente, este grupo de trabalho buscará agregar diferentes contribuições sobre a presença indígena no Piauí, privilegiando o recorte cronológico entre os séculos XIX e XXI. A multiplicidade de abordagens e a amplitude temporal poderão proporcionar uma visão panorâmica sobre as pesquisas com a temática indígena no estado, bem como originar e fortalecer redes de pesquisadores.

PROGRAMAÇÃO GT 07


GT 08: COMUNIDADES QUILOMBOLAS: Antropologia e experiências etnográficas em tempos de ameaça de supressão de direitos.

Maria Lídia Pessoa (UFPI)
Luciana Soares da Cruz (IFPI)

O GT pretende reunir pesquisas concluídas e em andamento, realizadas noâmbito da Antropologia e demais áreas das ciências sociais que investiguem sobre as comunidades quilombolas residentes em áreas rurais e urbanas do território brasileiro.
O atual contexto político brasileiro representa ameaça aos direitos adquiridos pelas comunidades negras rurais ao longo de décadas por meio de históricas lutas sociais que eNvolveram, por exemplo, a titulação de suas terras. Prova disso, foi a Ação Direta de Inconstitucionalidade - ADI 3.239 - contra o Decreto 4.887 que trata do reconhecimento, identificação, delimitação e demarcação dos territórios quilombolas junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Apesar de julgada como improcedente pelo Superior Tribunal Federal - STF, a referida ADI é um
exemplo de como as garantias legais dos moradores de quilombos ainda estão ameaçadas e que é necessário continuar resistindo.
As comunidades enfrentam ainda problemas como os gerados pela criação e operação de grandes empreendimentos dentro dos seus territórios, conflitos com proprietários rurais que envolvem a delimitação de suas terras, a deficiência das políticas públicas direcionadas aos quilombolas.
Esse cenário exige uma reflexão sobre o papel da/o antropóloga/o na luta pela manutenção dos direitos dos quilombolas. Nossas pesquisas têm contribuído de alguma maneira para efetivar esses direitos? Quais os desafios éticos e políticos a serem superados na tarefa da/o antropóloga/o de atender às exigências da academia e às necessidades da comunidade? Qual o papel social do antropólogo na produção de laudos periciais sobre Quilombos?
A partir da alteridade e de experiências etnográficas diversas, esse GT pretende avançar nesse campo, que vem se fortalecendo e produzindo reflexões sobre a diversidade cultural em que se possa compreender as relações sociais que sustentam a lógica cultural desses povos tradicionais nos seus territórios que se inscrevem na memória, na história e no significado.
Dessa forma, o objetivo do nosso GT é proporcionar um espaço de diálogo no qual serão bem-vindas contribuições advindas de experiências etnográficas que englobem as diversas temáticas envolvendo as comunidades quilombolas distribuídas no território nacional: territorialidade, gênero, religiosidade, performance, gerações, rituais, alimentação, políticas públicas, educação e outras que tenham como enfoque os modos de criar, fazer, viver e resistir dos quilombolas. Também serão aceitos trabalhos que reflitam, dentro da temática proposta pelo GT, sobre as condições e os desafios da pesquisa etnográfica e da teoria antropológica, considerando as experiências vivenciadas pelas(os) autoras/es durante o tempo da pesquisa.

PROGRAMAÇÃO GT 08



GT 09: Comida, cultura e comensalidades: As trajetórias da alimentação nas sociedades contemporâneas 

Augusto Ferreira Dantas Júnior (PMT e FAESPI)

Jucilaine Maria de Carvalho (SEDUC/PI e UNINASSAU/PI)

A comida é algo imprescindível ao ser humano, por natureza, universal. No âmbito antropológico, a comida é relativizada de diversas formas nos mais variados tipos de contexto: a comida é usada como elemento de socialização, encaixe social, conjunturas hierárquicas, marcador identitários, ritualização, etc. A discussão acerca de comida é refletida desde os primórdios textuais antropológicos, porém, em 1988, o artigo intitulado "manners and meals" de Garrick Mallery torna-se marco acerca da comida e da importância do debate antropológico sobre o tema.

Lévi-Strauss faz significativas colaborações envolvendo comida nas três primeiras obras de As mitológicas: O cru e o cozido [1964], Do mel às cinzas [1967], A origem dos modos à mesa [1968], fazendo com que o pensamento estrutural sobre os mitos de criação das sociedades possuam base nos alimentos, por exemplo, o mel está para a natureza assim como o tabaco está para o sobrenatural.

Assim, este GT abrange os seguintes temas principais: Simbolismo da alimentação (alimentos sagrados, tabus alimentares, comida e cultura popular, mitos alimentares); Alimentação e interação social (alimentação e etnias, alimentação e classes sociais, transformações na alimentação, alimentação e hábitos de vida, modus faciendi tradicionais e contemporâneos, alimentação e consumo, alimentação e modismos, alimentação e redes sociais); Alimentação e saúde (impacto da alimentação na saúde física, dietas e exercícios, estética e autoimagem, tecnologia da alimentação, transgênicos e saúde).

O grupo de trabalho propõe realizar discussões sobre produções acadêmicas cujo foco seja a alimentação como objeto de análise antropológica. A partir da consideração de que os processos alimentares não somente são fundamentais para a manutenção da vida, propomos uma discussão que contemple o seu papel como elemento estruturante das diversas culturas, desde o aspecto simbólico até os processos de interação social atrelados à alimentação na contemporaneidade.

O objetivo principal desse GT é conectar as diferentes formas de reflexão sobre a alimentação imposta/preterida à sociedade atual e que fatores interferem na prática habitual (e, também, ritual) de se comer, pretendendo, de um lado, trazer à tona respostas sobre a identidade daquele grupo e, por outro lado, alavancar questionamentos das resistências neles encontradas. Finalmente, o GT busca um diálogo antropológico com as outras áreas que incluam a alimentação em suas compreensões epistemológicas em que o ato de comer transforma-se necessariamente em uma problematização política da atualidade.

PROGRAMAÇÃO GT 09


GT 10: Estado, sociedade civil e marcadores sociais da diferença

Beatriz de Paula Silva Ribas (UFMG)
Olívia Cristina Perez (UFPI)

Os estudos sobre desigualdade têm apontado que além da questão de classe, outras clivagens sociais tais como gênero, raça/cor/etnia, deficiência, geração e região -chamados de Marcadores Sociais da Diferença (MSD) - estão relacionadas com violência, dificuldade de acesso a direitos e outras formas de opressão, de forma interseccional. Considerando a importância do estudo sobre os MSD, o objetivo deste Grupo de Trabalho é reunir e estimular a discussão sobre as dificuldades de grupos marcados por  clivagens sociais, bem como as ações do Estado e da sociedade civil com tais grupos.

A proposta do GT aqui apresentada abrange trabalhos com temáticas do campo da antropologia - os marcadores   sociais da diferença; bem como estudos do campo da sociologia e política - movimentos sociais, participação política, opinião pública e teorias do reconhecimento. Logo, trata-se de um campo de estudos que reúne os vários ramos do conhecimento das ciências sociais e que, portanto, será capaz de acolherpropostas de diversas áreas.
Ademais, a reflexão sobre a grupos marcados por clivagens sociais ainda é uma temática recente no Brasil. Os estudos em torno da mobilização se concentram especificamente na questão de classe social, gênero e raça-cor. Aqui se propõe a reunião desses e outros marcadores sociais da diferença, como escolaridade, deficiência e ciclode vida em uma perceptiva interseccional.


GT 11 - Patrimônio cultural e as comunidades locais

Andrea Lourdes Monteiro Scabello (UFPI)

Joina Borges de Freitas (UFPI)

Na contemporaneidade a relação entre as comunidades locais e o patrimônio cultural tem assumido nova dimensão em decorrência do diálogo estabelecido com as diversas instituições. Este simpósio temático tem por objetivo reunir pesquisadores e membros das comunidades que desejam debater sobre os diversos significados do patrimônio cultural e refletir sobre as ações dos órgãos oficiais de preservação do patrimônio e pensar sobre as possibilidades de implantação de políticas de desenvolvimento local, produzindo uma compreensão acerca das limitações e potencialidades da própria realidade.

PROGRAMAÇÃO GT 11



GT 12 - Antropologia no campo da arte: Narrativas e experiências 

Joseane Mª de A. R. P. de Albuquerque (UFPB)

Nayra Joseane e Silva Sousa (UFPI).

As interlocuções da antropologia e arte estão centradas nas produções culturais de grupos sociais e coletivos, com base nos sistemas estéticos e simbólicos. Os estudos das práticas expressivas de um seleto grupo, indígena, por exemplo, implica na contextualização sociocultural dessa sociedade levando em consideração os seus valores culturais particulares, signos e símbolos - eis que aproxima o antropólogo/a ao cerne de seu trabalho: entender o ponto de vista do "outro" e relativizar.

Ademais, nas sociedades ditas "complexas" os interesses e visões de mundo irrompidas por grupos de contrastes e estilos de vida diferenciados, possibilita uma imensa possibilidade de pesquisas com a preocupação em captar o universo das linguagens artísticas e das práticas culturais apresentadas nas ruas, nas praças públicas, ou mesmo às instituições públicas e privadas de cultura. Entende-se, portanto, que o contexto social das produções artísticas e culturais, a dinâmica dessas produções excedem o objeto de arte, ressaltando a importância de uma teoria antropológica aplicada à arte e não o inverso.

Estima-se com isso a relevância das narrativas, experiências, performances e subjetividades dos atores sociais que são apreendidos no fazer antropológico, isto é, a amplitude do campo da antropologia da arte permite incorporar além do objeto de arte e do observador/apreciador, os espaços culturais, as interações com o público, a agência e os modos de fazer cultura em si, pois na prática do trabalho de campo antropológico são reconhecidos gestos, emoções e redes de partilha social - processos expressivos, individuais e coletivos, que revelam o objeto etnográfico e a construção efetiva dele.

Com o intuito de propiciar interlocuções com pesquisas concluídas e em andamento no âmbito da antropologia e demais áreas das ciências sociais, este grupo de trabalho (GT) têm interesse em apresentar as narrativas e as experiências no campo da arte, possibilitando a problematização da produção do fazer antropológico no âmbito da antropologia da arte e das práticas culturais.

PROGRAMAÇÃO GT 12